As diversas ruas do fútbol callejero do Programa ACTP

Com um cenário improvável e emblemático da cidade de São Paulo, o futebol de rua segue derrubando barreiras e pré julgamentos rumo à realização do Mundial em julho. Tendo isso em mente, foram montadas na região da Cracolândia no mês de abril duas arenas, nas quais meninos e meninas do movimento fizeram jogos de exibição e foram cotejados pelo Bloco EURECA. Graças à iniciativa da Ação Educativa em levar o futebol de rua para a Cracolândia, os moradores da região se encantaram com a possibilidade de poder jogar futebol no local onde vivem e com a presença de organizações como CEDECA Sapopemba, Projeto Meninos e Meninas de Rua e Movimento Nacional dos Moradores de Rua, dentre outras.

Falas como “Isso é muito bom, tinha que ter toda a semana!” e “Vocês voltam quando?” podiam ser ouvidas por todos os cantos, devido ao entusiasmo dos moradores. A experiência foi muito benéfica para os meninos e meninas participantes, que puderam ver de perto que mesmo pessoas de contextos totalmente diferentes podem gostar das mesmas coisas. Os moradores não só jogaram com os meninos, como também participaram da bateria do Bloco EURECA, em um feliz e inusitado encontro que explicitou o potencial do esporte e do brincar e que, de fato, um outro futebol é possível.

Seminário da Federação Internacional de terre des hommes aborda os efeitos de megaeventos esportivos sobre crianças

Com o apoio local do Programa “A chance to play – o direito de brincar”, a Federação Internacional de terre des hommes (terre des hommes International Federation) organizou, nos dias 24 e 25 de abril em São Paulo, um seminário para apresentar e articular o Projeto “Efeitos de Megaeventos Esportivos sobre Crianças”. O Projeto nasce das preocupações compartilhadas pelas organizações terre des hommes - atualmente 11 organizações de 8 países compõe a Federação Internacional de terre des hommes - referentes aos riscos que a Copa do Mundo de Futebol no Brasil impõe a crianças e adolescentes, e busca dar visibilidade aos impactos efetivos advindos deste evento, além de munir as organizações da sociedade civil com os instrumentos necessários para um trabalho de advocacy pela proteção de crianças e adolescentes junto às instituições organizadoras de Megaeventos Esportivos (MEEs).

O seminário reuniu 12 organizações que atuam pelos direitos de crianças e adolescentes em todo o Brasil, além de uma equipe de filmagem e de uma jornalista investigativa. Estes últimos trabalharão intensamente durante o ano de 2014 buscando evidências e histórias de vida de crianças e adolescentes, que viveram, vivem e viverão os efeitos, sejam ele positivos ou negativos, da realização de MEEs no país. Durante os dois dias temas como remoções forçadas, despejos, criminalização de movimentos sociais, violência policial contra crianças e alocação de recursos públicos para redução de novos riscos para crianças e adolescentes foram amplamente discutidos. O seminário contou, ainda, com contribuições de Carlos Nicodemos (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e Projeto Legal), Anna Flora Werneck (Childhood Brasil) e Monica Britto, que discutiram as consequências e os impactos dos MEEs, sob a perspectiva da criança e do adolescente, e de Benedito “Dito” Barbosa (Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e Central dos Movimentos Populares – CMP) e Ermínia Maricato (Professora titular aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), que abordaram os impactos de MEEs no desenvolvimento urbano municipal com foco específico nos direitos da criança e do adolescente.

Para maiores informações sobre o projeto da Federação Internacional de terre des hommes, acesse (em inglês):

http://www.terredeshommes.org/causes/children-mega-sporting-events/ e http://www.childrenwin.org/