Na cidade de São Paulo, o Mundial de Futebol de Rua mostra que um outro futebol é possível

Entre os dias 1º e 12 de julho de 2014, aconteceu em São Paulo o Mundial de Futebol de Rua, evento organizado pela Ação Educativa e Fundación Fútbol para el Desarollo - FuDe, em parceria com o Programa ACTP. O evento, que reuniu cerca de 300 jovens de 20 países, ocupou a cidade de São Paulo e fortaleceu valores como solidariedade, cooperação e inclusão social, através da metodologia de fútbol callejero. Para tanto, a metodologia propõe um jogo em três tempos: no primeiro os jogadores decidem as regras, no segundo ocorre efetivamente o jogo, contudo, sem juiz; e no terceiro, com o auxílio de mediadores os próprios jogadores decidem como os pontos serão divididos, baseados em valores como jogo limpo e solidariedade.

As 24 delegações ficaram alojadas em CEUs por toda a cidade, o que permitiu um riquíssimo intercâmbio de experiências e culturas entre todas/os as/os jogadoras/es. Muito embora as delegações viessem dos mais diferentes países como Guatemala, Filipinas e Israel, a comunicação entre elas não ficou prejudicada. Fazendo o uso do esporte, todos conseguiram se entender nesta grande festa das culturas. A realidade dos jovens se mostrou mais próxima do que o esperado, já que em sua grande maioria os as delegações vêm de projetos sociais de apoio e proteção à infância e à adolescência. Assim sendo, a oportunidade de estar em outro país e ter contato com outras culturas e pessoas mostrou-se algo muito rico para todos os participantes. Sobre a importância de sua vinda ao Brasil, Athaphelele Ngwendu, da delegação da África do Sul, comentou “Sou o primeiro da minha família a viajar par ao exterior (...) Minha família me dá muito apoio e está orgulhosa de mim por ter conseguido isso”.

A primeira fase eliminatória do Mundial ocorreu na arena montada no Largo da Batata e nas quadras do Sesc Pinheiros, zona oeste da cidade de São Paulo. Já as semi-finais e a grande final, que em 2014 foi entre Israel e Colômbia, ocorreram em uma arena montada na Avenida Ipiranga, na região da Praça da República, no centro da cidade de São Paulo. O Narra-Várzea, que costuma narrar jogos de futebol em comunidades, se encarregou da narração dos jogos, enquanto que, ao longo das semanas, apresentações culturais de capoeira, bate-lata e percussão foram realizadas, com o gentil apoio do Gotas de Flor com Amor, Solano Trindade e Bloco Eureca (parceria entre o Cedeca Sapopemba e Projeto Meninos e Meninas de Rua de SBC), respectivamente.

Campeãs do Mundial foram todas as delegações que participaram e exercitaram valores como companheirismo e coletividade e, enquanto tais, receberam medalhas por sua participação no Mundial. O troféu de primeiro lugar ficou com a delegação da Colômbia, do projeto “Vá Jugando!”, que desenvolve um trabalho de inclusão através do esporte com ex-membros de gangues da cidade de Barranquilla. O saldo final do Mundial mostrou que um outro futebol é sim possível e que o esporte é uma poderosa ferramenta de inclusão social e da valorização do potencial de jovens, independentemente do contexto em que é aplicado.

Para maiores informações, acesse a página oficial do Mundial de Futebol de Rua na internet.